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Decisão de compra

Sistema sob medida ou SaaS: como decidir com os números da sua operação

A comparação de mensalidade contra orçamento de projeto quase sempre engana. A pergunta certa é se a ferramenta mexe no recurso escasso da sua operação.

· 5 min de leitura

A comparação costuma começar numa planilha com duas colunas. De um lado, a mensalidade de um software pronto. Do outro, o orçamento de um sistema sob medida. O pronto parece mais barato, mais rápido e menos arriscado, e muitas vezes é mesmo. Mas a comparação está olhando para o número errado.

O preço da ferramenta é a parte menor da decisão. A parte maior é o que acontece com a hora do seu especialista depois que ela entra em uso. Se a ferramenta não mexe nessa hora, ela pode ser barata e ainda assim não resolver nada.

Onde o SaaS ganha, sem discussão

Vale começar pelo lado honesto. Para a maior parte do que uma empresa faz, software pronto é a escolha certa. Financeiro, folha, nota fiscal, CRM, agenda, comunicação interna: são processos parecidos em quase todas as empresas, e quem vende essas ferramentas já resolveu os problemas comuns melhor e mais barato do que qualquer projeto isolado conseguiria.

A regra é simples: se o processo é igual ao do concorrente, use o que o mercado já oferece. Construir sob medida aquilo que não diferencia sua empresa é gastar dinheiro para reinventar uma roda que já gira bem.

Onde a conta vira

A conta muda quando o processo em questão é o que gera receita e passa, obrigatoriamente, pela mão de alguém escasso. É o caso típico das operações que entregam um documento técnico: o laudo, o relatório, o certificado. Ali, o método é da empresa, foi refinado ao longo de anos, e é justamente o que a diferencia.

Nesse ponto, o software pronto tende a falhar de três maneiras:

  • Cobre o entorno, não o núcleo. Organiza a agenda, o cadastro e o envio, mas o trabalho pesado (o cálculo, a montagem, a análise) continua acontecendo fora dele, na planilha e na cabeça do especialista.
  • Exige que o processo se adapte à ferramenta. O método que diferencia a empresa precisa ser encaixado nos campos que o fornecedor previu para todo o mercado.
  • Cria retrabalho de ida e volta. Os dados entram no sistema, saem para a planilha, voltam para o sistema. Cada passagem é hora e é chance de erro.

Quando isso acontece, a mensalidade é pequena, mas o gargalo continua intacto. A empresa pagou pela organização do entorno e manteve o especialista no caminho crítico de cada entrega.

A conta com os seus números

Para decidir, coloque as duas opções contra o mesmo critério: quantas horas de especialista cada uma libera por mês. Preencha com os dados da sua operação:

ItemSeu número
Entregas por mêsA
Horas de especialista por entrega hojeB
Horas de especialista por entrega com a opção avaliadaC
Horas liberadas por mêsA x (B menos C)
Valor de uma hora de especialista (receita que ela gera, não o salário)D
Capacidade liberada em reais por mêsA x (B menos C) x D

Faça a conta duas vezes, uma para cada opção. O ponto mais importante é o C: seja rigoroso. Se a ferramenta pronta só organiza o que vem antes e depois do trabalho técnico, o C dela fica muito perto do B, e a capacidade liberada fica perto de zero, por menor que seja a mensalidade.

Repare que D é o valor que a hora gera, não o que ela custa. Numa empresa que recusa cliente por falta de capacidade, a hora do especialista vale o que ele fatura, porque cada hora liberada vira entrega vendida.

Compare as opções pelo que elas fazem com a hora do especialista, não pelo que custam por mês.

Os custos que não aparecem na primeira coluna

Além da capacidade, há custos que a comparação inicial costuma esquecer. Vale listar para as duas opções:

  • Adaptação. Quanto custa ajustar a ferramenta pronta ao seu processo, e quanto disso o fornecedor sequer permite?
  • Integração. Quantas vezes por entrega alguém copia dado de um lugar para outro?
  • Crescimento. Como a mensalidade se comporta com mais usuários, mais documentos, mais unidades?
  • Dependência. Se o fornecedor mudar o preço, o plano ou o produto, qual é sua alternativa? Seus dados saem num formato que você consegue usar?
  • Evolução. Quando a norma mudar, quem atualiza o cálculo, e em quanto tempo?
  • Manutenção. No sistema sob medida, quem mantém depois da entrega, e por quanto?

Esse último item merece atenção especial. Um sistema sob medida sem manutenção definida é um risco igual ou maior do que a ferramenta pronta. Subir um sistema acontece uma vez. Mantê-lo acontece todos os dias.

Um caminho que costuma funcionar

A decisão raramente é tudo ou nada. Na maioria das operações, o arranjo mais sensato combina as duas coisas: software pronto para tudo o que é comum, e sistema sob medida apenas para o núcleo que passa pelo especialista. O sistema dedicado conversa com as ferramentas prontas em vez de substituí-las.

Um bom teste para separar uma coisa da outra: se você descrevesse o processo a um concorrente, ele diria "a gente faz igual"? Se sim, use o que existe. Se ele diria "como vocês fazem isso?", é ali que o sob medida tem chance de se pagar.

Decida pelo recurso escasso

A pergunta "sob medida ou pronto?" fica mais fácil quando é trocada por outra: qual opção tira o especialista do caminho crítico de cada entrega? Às vezes a resposta é uma ferramenta de mercado. Às vezes nenhuma ferramenta de mercado chega perto. Feita com os seus números, a conta costuma deixar isso claro. Quando a resposta aponta para o sob medida, é nesse núcleo que a Ezera trabalha, ao lado das ferramentas que você já usa.

Vamos olhar o seu gargalo.

Uma conversa de trinta minutos costuma bastar para saber se existe teto de capacidade na sua operação e se tecnologia resolve. Se não resolver, a gente diz.

Conversar sobre o seu gargalo